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Performance, dor e honestidade: um relato sem filtro

  • Foto do escritor: arthur azevedo
    arthur azevedo
  • 14 de out. de 2025
  • 3 min de leitura



Como uma temporada intensa de provas me ensinou sobre limites, burnout e a coragem de ouvir a voz interior


Comecei o ano com um calendário ambicioso: KTR100K na Serra da Canastra, Desafio do Rio (21K + 42K), La Missión na Serra Fina (110K), Caminho da Agonia (57K), Caminho da Fé (60K), Racing the Planet Grécia (250K) e Ultra Trail Caminhos de Minas (65K). Foi uma sequência que, no papel, soava como a realização de um sonho — na prática, acabou sendo uma lição dura sobre limites.


No início, tudo correu bem. Terminei a KTR da Serra da Canastra — em último lugar, como já estou acostumado — mas satisfeito: era uma prova prazerosa, com pessoas incríveis ao redor.


O Desafio do Rio foi, de fato, desafiador: a meia maratona foi sacrificante e quase me fez desistir da maratona. Acabei completando quando deixei de lado a busca por performance e passei a aceitar o que o corpo permitia — correndo, caminhando, recebendo o carinho das pessoas nas ruas do Rio, que sempre faz diferença.


Na Serra Fina fui cortado após 25 km. Larguei às 21h e corri em noite de neblina, frio e terreno técnico até as 3h — uma prova bruta. Não fiquei arrasado; sabia que o desafio ultrapassava meu limite naquele momento. Fui para ver até onde iria e aproveitar o que fosse possível.


Mas, ao longo do ano, a fascite plantar apareceu. Ressonância, consulta com ortopedista: o diagnóstico estava claro. Mesmo assim, eu não quis ouvir. Mantive a programação como se nada estivesse errado. O resultado: o prazer da corrida transformou-se em obrigação; o treino virou martírio; a satisfação deu lugar à frustração; e, no fim, a vontade se tornou medo.


Fui para o Racing The Planet na Grécia sem convicção. Além do pé, a cabeça não estava lá: sofrendo também com um burnout relacionado ao trabalho — fraco, sem vontade, com medo. O resultado foi uma desistência precoce na prova. Fascite plantar, medo e falta de confiança. Não sei que falou mais alto. Só não queria mais. Desisti. Mas, chegaram os fantasmas: arrependimento por ter investido tanto sabendo que não estava bem; raiva por não ter escutado o corpo que dizia “não é a hora”. Eu sabia. Ainda assim, não agi.


É fácil celebrar sucessos nas redes. Menos comum é reconhecer as quedas. Mas os fracassos também nos moldam — na vida pessoal, na carreira, na liderança. Foram eles que me forçaram a olhar para limites que eu vinha ignorando: físicas, emocionais, profissionais.


O que aprendi (e que acredito ser útil para líderes e profissionais):


  • Ouvir, de verdade, a voz interior. Intuição e sinais do corpo não são fraqueza; são informações.

  • Aceitar limites não é desistir — é estratégia. Pausar para recuperar é preparar o terreno para um retorno mais sustentável.

  • Vulnerabilidade é liderança. Admitir falhas em público é difícil, mas cria espaço para aprender e conectar.

  • Burnout não escolhe resultados. Pode afetar quem mais entrega; exigir desempenho sem recuperação é perigoso.


Não tenho uma conclusão brilhante para encerrar este texto. O que trago é honestidade: olho para mim e não gosto do que vejo em alguns momentos. Mas também sei que amanhã pode ser melhor — e que reconhecimento, ajuste e descanso são passos essenciais para qualquer recomeço.


E você? Já teve que recuar para cuidar de si — seja na vida pessoal, num projeto ou em um contrato? Como foi esse processo de reconhecer o limite e voltar depois?


Um abraço!



 
 
 

2 comentários


Giovan Ferreira Nobreza
Giovan Ferreira Nobreza
20 de out. de 2025

Boa tarde!lendo seu relato gostaria de compartilhar que passei por esse nível depressivo de Burnout ...é desafiador más onde tudo começa desconstruir para construir com nova base e estrutura. Saiba que é uma fase e hoje como psicanalista veio que tudo foi para um propósito que estava adormecido.vc vai sair dessa e fará movimentos maiores nessa construção. Nai desista prossiga ..

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annapbc
19 de out. de 2025

Oi, Arthur! Obrigada pelo relato! Reforçou algumas atitudes que preciso tomar agora!

Quanto à fascite plantar, sofri com ela há alguns anos, até conhecer o CETE Centro De Traumato-ortopedia Do Esporte, que fica na rua Estado de Israel, na Vila Mariana em São Paulo. E foi como tirar com a mão. É uma unidade do SUS, e após um ultrassom e duas sessões, nunca mais precisei voltar lá! Espero que te ajude! Um beijo e se cuida! Anna Colacino

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