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O Deserto da Namíbia e a revelação de quem somos!

  • Foto do escritor: arthur azevedo
    arthur azevedo
  • 16 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 4 de ago. de 2025

Olá, amigos e amigas! Pretendo contar, em uma série de cinco posts, minha última aventura de resistência e superação: a corrida da Namíbia. De certa forma, um reflexo das flutuações da nossa vida num espaço de seis dias. Uma jornada de autoconhecimento, resiliência, humildade, muita amizade e compartilhamento com pessoas de 26 países diferentes, que, numa velocidade incrível, se passaram de desconhecidos a amigos inesquecíveis. 


O porquê 


Lançar-se em um desafio sem saber ao certo se sairá do outro lado inteiro, colocar sua resistência em teste, levar seu corpo ao limiar da dor e da exaustão, sua mente ao limite da paciência e da ansiedade e lançar suas emoções em uma verdadeira montanha russa. Isso tudo ao mesmo tempo. Foi o mais claro que consegui descrever o que é a jornada de atravessar um deserto. Mas não é só isso, é também testemunhar as belezas mais espetaculares e tão bem escondidas, conhecer pessoas maravilhosamente generosas e interessantes e descobrir que podemos sim enfrentar e vencer os maiores desafios, em qualquer arena. Basta haver preparação, paciência, gestão de seus recursos, estratégia, flexibilidade e muito suporte de pessoas que, genuinamente, querem o seu bem. 


Em 1923, diante da insistência de um repórter do The New York Times em querer saber o porquê o Sir George Mallory queria tanto escalar o Monte Everest, feito, até então, nunca realizado, ele respondeu com certa irritação: “Because it is there” (Porque está lá). O Everest tornou-se a “raison d’être” de Sir Mallory, seu propósito de vida. Conquistar o chamado “terceiro polo”. Sir Mallory morreu na montanha, buscando seu propósito, junto com seu companheiro Andrew Irvine. Nunca se soube se eles morreram na descida, após atingir o cume, ou no trajeto até o cume. A reposta pode estar numa câmera fotográfica carregada por Irvine, perdida na montanha e no tempo. Mas o fato é que a resposta de Sir Mallory se tornou uma espécie de padrão para quando não conseguimos ao certo explicar o motivo pelo qual fazemos coisas, aparentemente, difíceis e que desafiam a lógica de nossas escolhas.


Por que atravessar um deserto? Dois ou três? Por que atravessar qualquer deserto? Já me fizeram esta pergunta inúmeras vezes, e confesso que tenho dificuldade de articular uma resposta racional. Porque não é uma escolha racional. É pura emoção! Eu vou porque quero conhecer meus limites, desafiá-los e ver até onde consigo ir. Quero ver minha capacidade de gerenciar meus recursos físicos, mentais e emocionais, de forma a chegar à linha final inteiro e com um sorriso no rosto. Vou porque quero conhecer pessoas interessantes, de todos os lugares do mundo, que se ajudam e não se importam com o que você tem, mas sim com quem você é. E isso o deserto deixa bem exposto.


Nesse ponto, o Deserto da Namíbia, como qualquer outro que já fiz, é implacável. Não importa o seu título, seu dinheiro, seu sobrenome, a empresa para qual você trabalha. Ali, é você, sua mochila com tudo o que você precisa para sobreviver por seis dias, sua habilidade de ler o seu corpo, controlar sua mente e cuidar das suas emoções, trabalhando sua estratégia com uma finalidade maior. Cada um tem a sua. A minha era bem simples: estar no “fim da manada”, fazer no meu ritmo, chegar ao final inteiro e ajudar quem eu pudesse pelo caminho. E assim foi.


É tudo, menos fácil! Mas isso fica para nosso próximo encontro. Abraços!

 
 
 

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